Pira51 - A internet movida a álcool

O blog do pessoal do antigo opirassununga e pira51.com agora de cara nova! E em um servidor mais furreca ...

13 abril 2007

Sinceridade é alma do negócio

Estava navegando na internet quando por ironia do destino ao tentar digitar www.gmail.com, site do famoso e-mail do google, acabei digitando www.gamil.com. A página encontrada foi a coisa mais engraçada que eu vi essa semana.
O título da página é "Gamil is not Gmail, but we're glad you're here!". Algo como Gamil não é o Gmail, mas estamos felizes que você esteja aqui!, em tradução livre. Logo abaixo, eles explicam que eles entendem que você provavelmente entrou no site por ter errado ao tentar digitar rápido gmail.
Por isso, há um pequeno trecho destinado a explicar aos visitantes que se trata de uma empresa de design gráfico e de produtos, e convidando-os a conhecer o seu trabalho. A empresa jura que já está no ramo há mais de 10 anos, tendo criado esse modelo de site pelo inesperado aumento do número de visitas vindo do site do gmail. Independente disso, não podemos duvidar da criatividade e do bom humor de seus criadores. Além, é claro, da sinceridade dos mesmos.

10 abril 2007

O Cheiro Do Ralo - Resenha de Cinema


Lourenço não guarda nomes de pobre. Nem poderia. No livro em que se baseia o filme “O Cheiro do Ralo” o próprio protagonista é deixado anônimo – um perfil sem um rosto. Mas, se ganha um nome na sua versão cinematográfica, Lourenço continua um personagem em busca de uma identidade.

O discurso do filme despista o público. As frases importantes e charmosas parecem sair da boca de um esquizofrênico num discurso incoerente e, por muitas vezes, contraditório. O protagonista é aparentemente um amontoado de rabiscos desarmônicos e abstratos que não formam uma imagem normal.

No início somos apresentados a um sujeito inseguro, retraído. Dono de uma estranha loja de usados posto numa situação na qual é obrigado a explorar e expor seus fregueses para conseguir seu ganha-pão. Com o desenvolver da trama essa insegurança dá lugar ao ódio a sua própria condição. Lourenço não é um personagem que se explica, – estranho, dada a natureza personalista do filme – pelo contrário, se esconde. Em um dos poucos momentos reveladores, quando se confessa para a empregada, descobrimos o fardo psicológico que é levar essa existência suja, mesquinha, para onde foi tragado pelo fluxo caótico da vida.

Por isso, cada vez mais, Lourenço desenvolve aversão a clientes com histórias bonitas sobre seus objetos. Quer banhar na lama, expor a imundice pornográfica todos que ali vem - exibir o lado inescrupuloso de cada um. Enquanto isso, foge de sua própria essência, lutando para deixar claro que aquele cheiro de merda – materialização plena e total de sua condição – não é dele. É do ralo.

Num continuo de outras tantas fugas como a de um relacionamento vazio com sua noiva. Lourenço transforma-se em um homem obcecado por criar uma identidade que preste. Busca, não uma mulher real, com defeitos e qualidades, mas uma bunda perfeita. Compra, totalmente contra seus princípios de lucro, um olho que inventa ser de seu pai. Quer ter uma história para contar. “O Cheiro do Ralo” é, comicamente, sobre a luta de um personagem em se tornar decente ao espectador.