
Grande coisa, homem! Puro estardalhaço mesmo essa história de marketing ferindo auto-estima. Imaginem só uma indústria com aqueles martelos gigantes, rodas dentadas, soldas, queimando, triturando, esmagando auto-estimas alheias (que no caso só podem ser alheias mesmo, pois máquinas não tem problemas com auto-estima e segundo me disseram nem pagam um preço tão alto com psicólogo). Parece bobagem, né ? Coisa fantasiosa... Mas não soa impossível também o Colgate Tripla-Ação e suas cores que não se misturam nunca ? Então resolvo acreditar quando leio que uma tal indústria da auto-estima fatura altíssimo mexendo com a insegurança das pessoas.
Insegurança é um negócio engraçado (além de rentável), então você acorda um dia e resolve que quer se mutilar um pouco, colocar uns implantes aqui, levantar acolá, levantar esse bumbum, diminuir essa barriga flácida, quem sabe até dar aquela esticadinha (com duplo e triplo sentido) e bancar um
penis enlargement que a patroa não anda lá muito satisfeita. Enfim, meter uns trecos em você que faria qualquer ciborgue do Blade Runer morrer de inveja.
E tudo bem. Daí tá beleza. Após gastar uma baba com essa porcaria, vem uns puritanos safados (como eu) dizendo que agora você não pode ser feliz mesmo. Seu materialista safado, ordinário de uma figa com valores tão baixos que troca sua identidade por um padrão social, suas peculiaridades pela forma genérica. E não basta ser deformado decretam também que você agora é um ser sujo, atormentado, um cidadão imoral, veradeiro anti-herói sabe ? Imundo mesmo (e você que só queria agradar).
E lançam um programa de TV sobre o assunto, mezzo porno-chanchada mezzo inquisição. Tão avançado como andar para trás. Vão lá todos os personagens que mexem com cirurgia plástica ficam loucos ou maus. Ai, ai, esse médicos deveriam avisar que promiscuidade é um dos efeitos colaterais pós-operação. Mas o mundo é assim mesmo, você se corta pra melhorar e nego mete o dedo na ferida. Se o bisturi corta a verruga que te incomodava dizem que cortou também o seu caráter.
Sei não, esse negócio de cirurgia para vencer insegurança pode até funcionar, quem sabe? Talvez até funcionasse não fosse esse número absurdo de pessoas fanáticas que ignorando o que os operados sentem dizem que não é esse o caminho para a felicidade. Isso é o realmente mesquinho: dizer que há para todos um só caminho.
O post foi indo e seguindo por direções que não previ. Só queria escrever mesmo que a indústria da insegurança é aquela que fabrica óculos 3D. E eu que achava que já enxergava em 3D direitinho.