Meu nome é Enéas
Nos últimos quatro anos sentei, em algumas ocasiões, em cadeiras próximas de Enéas Carneiro. Dele ouvi pronunciamentos, opiniões, apreciações políticas e filosóficas, visões e versões interessantes que mudaram completamente o conceito que eu tinha feito dele.
"Meu nome é Enéas" -- gritado como rugir de leão, fez dele uma figura folclórica e para mim sem muito sentido até conhecê-lo de perto. Nas rápidas aparições parecia um louco interessado na notoriedade a qualquer custo.
Mas o deputado Enéas mostrava já numa breve abordagem, ser pessoa de extrema sensibilidade, de cultura oceânica e de educação esmerada. Gentil, sorridente, aberto e acessível, até carente de relações descontraídas, mesmo atrás daquela barba imensa e negra que se erguia entre ele e o mundo a sua volta. Passei a admirá-lo porque primava pela perfeição lingüística, procurava a palavra certeira, por vez pouco usada, mas sempre cirurgicamente correta. E quem adota isso sabe quanto a palavra é "criadora". Também demonstra que lê muito e lê textos que resultam herméticos à maioria dos indivíduos, mas abrem portas e comportas do conhecimento.
Sem dúvida foi uma pessoa que se cobrou muito, que estudou muito, que tentou penetrar nos segredos das ciências e da filosofia, que escreveu textos sobre teses complexas e que, por um excesso de saber e de inteligência, transformouse numa figura extravagante, aparentemente agressiva que pouco combinava com sua baixa estatura e com seu peso que não passava dos 50 quilos com sapatos, gravata e bolsos cheios de moedas.
A leucemia, na segunda parte da última legislatura, apagou muito da sua verve, do seu ímpeto guerreiro, a quimioterapia o consumiu, mas dele lembro intervenções que mesmo esnobadas pela imprensa que o pintava como "palhaço", mostravam um saber que provavelmente nenhum outro colega possuía. Enéas fugia dos parâmetros, ficava fora do alcance, compreendê-lo era complicado, até porque ele mastigava quase por inteiro o que cabe numa enciclopédia e vomitava em discursos de extremo requinte lingüístico.
Lamento hoje que o país perdeu um gênio, o Congresso Nacional, uma das suas figuras mais notáveis. Uma personalidade que chegou lá no apagar de uma vida gasta à procura da perfeição.
Espero que a morte dele permita recompor a verdadeira imagem dessa figura maravilhosa que tive a honra de conhecer e admirar.
Texto de Vittorio Medioli (Empresário do setor de transportes, fundador do jornal "O Tempo", de Minas Gerais, e deputado federal pelo PSDB.)
"Meu nome é Enéas" -- gritado como rugir de leão, fez dele uma figura folclórica e para mim sem muito sentido até conhecê-lo de perto. Nas rápidas aparições parecia um louco interessado na notoriedade a qualquer custo.
Mas o deputado Enéas mostrava já numa breve abordagem, ser pessoa de extrema sensibilidade, de cultura oceânica e de educação esmerada. Gentil, sorridente, aberto e acessível, até carente de relações descontraídas, mesmo atrás daquela barba imensa e negra que se erguia entre ele e o mundo a sua volta. Passei a admirá-lo porque primava pela perfeição lingüística, procurava a palavra certeira, por vez pouco usada, mas sempre cirurgicamente correta. E quem adota isso sabe quanto a palavra é "criadora". Também demonstra que lê muito e lê textos que resultam herméticos à maioria dos indivíduos, mas abrem portas e comportas do conhecimento.
Sem dúvida foi uma pessoa que se cobrou muito, que estudou muito, que tentou penetrar nos segredos das ciências e da filosofia, que escreveu textos sobre teses complexas e que, por um excesso de saber e de inteligência, transformouse numa figura extravagante, aparentemente agressiva que pouco combinava com sua baixa estatura e com seu peso que não passava dos 50 quilos com sapatos, gravata e bolsos cheios de moedas.
A leucemia, na segunda parte da última legislatura, apagou muito da sua verve, do seu ímpeto guerreiro, a quimioterapia o consumiu, mas dele lembro intervenções que mesmo esnobadas pela imprensa que o pintava como "palhaço", mostravam um saber que provavelmente nenhum outro colega possuía. Enéas fugia dos parâmetros, ficava fora do alcance, compreendê-lo era complicado, até porque ele mastigava quase por inteiro o que cabe numa enciclopédia e vomitava em discursos de extremo requinte lingüístico.
Lamento hoje que o país perdeu um gênio, o Congresso Nacional, uma das suas figuras mais notáveis. Uma personalidade que chegou lá no apagar de uma vida gasta à procura da perfeição.
Espero que a morte dele permita recompor a verdadeira imagem dessa figura maravilhosa que tive a honra de conhecer e admirar.
Texto de Vittorio Medioli (Empresário do setor de transportes, fundador do jornal "O Tempo", de Minas Gerais, e deputado federal pelo PSDB.)

3 Comments:
At 6:18 PM,
Anônimo said…
Sei lá, erudição e intelgência não caminham necessariamente juntas.
At 8:58 PM,
Anônimo said…
Morre o último ideólogo do mundo da política.
Restaram apenas os demagogos.
At 12:46 AM,
Pizza said…
Concordo com o político. Ele era um gênio imcompreendido. Não concordava com as suas idéias mas o cara era realmente inteligente. Faltou o saber social, o se vender para as massas que ele precisaria para ser um político bem sucedido..
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